{"id":2892,"date":"2014-10-22T12:06:26","date_gmt":"2014-10-22T15:06:26","guid":{"rendered":"https:\/\/ncep.ufpr.br\/?page_id=2892"},"modified":"2014-10-22T12:06:26","modified_gmt":"2014-10-22T15:06:26","slug":"radio-manecao-world-colegio-manoel-ribas","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ncep.ufpr.br\/?page_id=2892","title":{"rendered":"R\u00e1dio Manec\u00e3o World &#8211; Col\u00e9gio Manoel Ribas"},"content":{"rendered":"<p>Localizada na Vila das Torres, exatamente ap\u00f3s a cerca que representa a \u00faltima barreira entre uma renomada faculdade particular e o mais antigo territ\u00f3rio favelizado de Curitiba, a Escola Estadual Manoel Ribas \u00e9 parceira do NCEP desde julho de 2011. Na institui\u00e7\u00e3o, o N\u00facleo atende adolescentes na faixa dos 11 aos 15 anos, matriculados, de maneira geral, nos \u00faltimos anos do ensino fundamental (6\u00ba ao 9\u00ba ano).<\/p>\n<p>O contexto social do ambiente em que o col\u00e9gio est\u00e1 inserido leva a algumas particularidades na din\u00e2mica da implanta\u00e7\u00e3o da r\u00e1dio. Devido ao hist\u00f3rico de viol\u00eancia na regi\u00e3o e aos altos \u00edndices de evas\u00e3o escolar na capital paranaense (segundo um levantamento feito pelos conselhos tutelares da cidade em 2009, a escola p\u00fablica curitibana perde 12 alunos diariamente), a escola \u00e9 uma das poucas institui\u00e7\u00f5es de ensino mantidas pelo governo que contam com ensino integral. As crian\u00e7as e adolescentes passam o dia na sala de aula, das 8:30 \u00e0s 17:00. No per\u00edodo da manh\u00e3, a grade hor\u00e1ria \u00e9 composta pelas mat\u00e9rias obrigat\u00f3rias regulares, como portugu\u00eas, ci\u00eancias e matem\u00e1tica. Ap\u00f3s o almo\u00e7o, os estudantes frequentam aulas especiais que envolvem, principalmente, os universos dos esportes e das artes. Essas atividades extracurriculares s\u00e3o optativas, ou seja, escolhidas pelos pr\u00f3prios adolescentes. O papel do NCEP \u00e9 assessorar os jovens matriculados na mat\u00e9ria de M\u00eddias, que engloba t\u00e9cnicas de cria\u00e7\u00e3o de conte\u00fado para blogs e, de maneira mais forte, a produ\u00e7\u00e3o radiof\u00f4nica.<\/p>\n<p>Num primeiro momento, a din\u00e2mica das oficinas de r\u00e1dio parecia apresentar diversos percal\u00e7os. Apesar de os 15 estudantes inicialmente matriculados em M\u00eddias estarem cursando a mat\u00e9ria por vontade pr\u00f3pria, os adolescentes tendiam a come\u00e7ar as atividades relativamente dispersos. Com a democratiza\u00e7\u00e3o da internet e, consequentemente, das novas m\u00eddias digitais, o formato radiof\u00f4nico parecia distante e arcaico para eles. Nos dois anos em que a equipe realizou o trabalho na escola, a mesma pergunta era feita logo na primeira aula: &#8221;Quem tem o costume de escutar programas de r\u00e1dio, sejam eles de m\u00fasica ou not\u00edcias?&#8221;. Em ambas as turmas, a grande maioria havia sintonizado uma esta\u00e7\u00e3o de r\u00e1dio apenas em raras ocasi\u00f5es.<\/p>\n<p>Por se tratarem de classes mistas, com alunos de v\u00e1rias s\u00e9ries e contextos diferentes, as turmas tamb\u00e9m foram marcadas por discrep\u00e2ncias relevantes de qualidade de forma\u00e7\u00e3o entre os estudantes. Enquanto alguns adolescentes possu\u00edam desenvoltura e textos com cad\u00eancia e coes\u00e3o, outros tinham dificuldades para escrever uma reda\u00e7\u00e3o coloquial de quatro ou cinco linhas. Essa diferen\u00e7a assumiu um car\u00e1ter de obst\u00e1culo no in\u00edcio dos trabalhos. Entretanto, no decorrer do ano letivo, esse percal\u00e7o foi transformado em um motor para fortalecer a uni\u00e3o da turma e o trabalho em equipe, j\u00e1 que motivou os jovens com mais facilidade a ajudarem os outros colegas a formularem seus textos e ideias, para que todos participassem da produ\u00e7\u00e3o da r\u00e1dio.<\/p>\n<p>Por fim, as dificuldades t\u00e9cnicas representaram um problema consider\u00e1vel. A escola contava com uma modesta mesa de som que, ap\u00f3s um longo per\u00edodo sem ser utilizada, j\u00e1 n\u00e3o funcionava adequadamente. Ap\u00f3s v\u00e1rias tentativas de conserto, o equipamento continuava prec\u00e1rio, sem condi\u00e7\u00f5es de proporcionar a estrutura m\u00ednima necess\u00e1ria para a divulga\u00e7\u00e3o da r\u00e1dio dentro do col\u00e9gio e da comunidade Vila das Torres, de acordo com as inten\u00e7\u00f5es iniciais do projeto. A solu\u00e7\u00e3o encontrada foi postar as produ\u00e7\u00f5es no blog da turma de M\u00eddias<sup>16<\/sup> , que atendia pelo nome de Manec\u00e3o Online em 2013 e, no ano seguinte, foi rebatizado como Manec\u00e3o World. A integra\u00e7\u00e3o das plataformas virtual e radiof\u00f4nica foi t\u00e3o forte que os dois t\u00edtulos dados ao blog se tornaram os nomes da r\u00e1dio (Manec\u00e3o Online em 2013; Manec\u00e3o World em 2014). Al\u00e9m disso, essa caracter\u00edstica transm\u00eddia aproximou os estudantes do formato de r\u00e1dio, j\u00e1 que a din\u00e2mica de postagem do material na internet era algo mais pr\u00f3ximo da realidade deles e que possui um alcance maior, podendo ganhar territ\u00f3rios que v\u00e3o al\u00e9m dos muros da escola.<\/p>\n<p>A equipe do NCEP frequenta a escola uma vez por semana, sempre ocupando o tempo correspondente a uma aula (cerca de 50 minutos). Em geral, para a produ\u00e7\u00e3o das reportagens, os estudantes se dividem em duplas, sobretudo pela falta de computadores e gravadores para todos.<\/p>\n<p>As oficinas mesclam teoria, debate e pr\u00e1tica, sempre com metodologia l\u00fadica e din\u00e2mica, seguindo a premissa de aproximar a produ\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica dos alunos atrav\u00e9s de uma abordagem simples e direta. A execu\u00e7\u00e3o de reportagens tradicionais \u00e9 intercalada com formatos mais criativos, como a radionovela anual, programas tem\u00e1ticos especiais e cobertura de eventos internos, como feiras de ci\u00eancias, campeonatos de esportes e semanas culturais. Tamb\u00e9m s\u00e3o agendadas duas visitas por ano ao est\u00fadio de r\u00e1dio da UFPR, localizado no campus de Comunica\u00e7\u00e3o Social onde os alunos podem conhecer as instala\u00e7\u00f5es, conversar com um profissional da universidade sobre quest\u00f5es mais t\u00e9cnicas do equipamento, produzir e editar as vinhetas de seus programas de r\u00e1dio e gravar parte do material.<\/p>\n<p>Ao fim do ano letivo, \u00e9 evidente o papel que a produ\u00e7\u00e3o radiof\u00f4nica tem nos contextos pedag\u00f3gicos e sociais dentro da comunidade escolar, impactando profundamente a vis\u00e3o dos alunos sobre si mesmos e a sociedade em que est\u00e3o inseridos. Com a produ\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica, os jovens descobrem um canal para denunciar, opinar, levantar sua voz ou simplesmente criar algo. A r\u00e1dio treina o olhar do adolescente para problemas que est\u00e3o a sua volta e, muitas vezes, assumem ares de invisibilidade para as autoridades. Esse novo horizonte os inclina no sentido de questionar e reivindicar seu espa\u00e7o como cidad\u00e3os que devem e merecem ser ouvidos, transformando-se, assim, em agentes sociais de mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>Os alunos tamb\u00e9m desenvolvem uma rela\u00e7\u00e3o mais cr\u00edtica com as informa\u00e7\u00f5es que chegam at\u00e9 eles atrav\u00e9s das grandes empresas de comunica\u00e7\u00e3o, levantando questionamentos, buscando diversas fontes e sentindo-se livres para, inclusive, discordar do que est\u00e1 sendo retratado em uma mat\u00e9ria de um grande jornal, por exemplo. Os estudantes que j\u00e1 se envolveram na produ\u00e7\u00e3o de reportagens, por conhecerem o processo e saberem como funciona, s\u00e3o promovidos a integrantes ativos no processo comunicacional, desenvolvendo uma rela\u00e7\u00e3o de m\u00e3o dupla com o emissor.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de evolu\u00e7\u00f5es no \u00e2mbito social, os jovens envolvidos no projeto tamb\u00e9m costumam concluir as atividades com mudan\u00e7as na esfera individual. Os alunos tendem a se interessar mais por leitura e produ\u00e7\u00e3o de textos, apresentando melhoras significativas quanto a gram\u00e1tica, coes\u00e3o textual e, mais importante, avan\u00e7os quanto ao gosto por livros, jornais e revistas. Outra tend\u00eancia \u00e9 que os adolescentes encerrem sua participa\u00e7\u00e3o na mat\u00e9ria de M\u00eddias mais desenvoltos e menos t\u00edmidos, com progressos tamb\u00e9m quanto \u00e0 dic\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que a pr\u00e1tica radiof\u00f4nica exige alguns exerc\u00edcios vocais importantes.<\/p>\n<p>Em 2013, o caso de uma aluna em particular chamou aten\u00e7\u00e3o da equipe envolvida no projeto. A adolescente de 14 anos, estudante de escola p\u00fablica desde o in\u00edcio de sua forma\u00e7\u00e3o, come\u00e7ou o ano letivo preocupada pois no ano seguinte, assim que entrasse no ensino m\u00e9dio, queria come\u00e7ar a trabalhar para ajudar a fam\u00edlia nas despesas. A garota acabou se destacando como uma das melhores em todas as produ\u00e7\u00f5es radiof\u00f4nicas orientadas pelo NCEP. Ao fim da experi\u00eancia, em seu feedback aos bolsistas do N\u00facleo, afirmou que batalharia para conquistar uma vaga na universidade e cursar jornalismo. Essa, talvez, seja uma das vit\u00f3rias mais significativas do trabalho de educomunica\u00e7\u00e3o naquela institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para acompanhar as atividades da R\u00e1dio e do Manoel Ribas, <a href=\"https:\/\/ncep.ufpr.br\/?tag=manoel-ribas\">clique aqui.<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Localizada na Vila das Torres, exatamente ap\u00f3s a cerca que representa a \u00faltima barreira entre uma renomada faculdade particular e o mais antigo territ\u00f3rio favelizado de Curitiba, a Escola Estadual Manoel Ribas \u00e9 parceira do NCEP desde julho de 2011. 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